quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vasilnha


Sentada numa cadeira velha, tricotava, pensando nos filhos, nos netos, na novela. Não pensava no marido, nem em amor, não pensava em romantismo, não sonhava, nem suspirava mais. Não pensava no casamento, que assim como o casal apaixonado, tinha ficado para trás. Ela ficou no canto, assim como um móvel, como a cadeira, esquecida, deixada para trás. Esperando ele entrar pela porta, falar mal da vida, do trabalho, do mundo, das pessoas, de tudo. Só que se esquecia sempre de olhar para ela, de falar dela, de amá-la, assim como ela o esquecera também. Mas um dia pela porta, não entrou o velho rabugento que sempre entrava, e sim seu amor, seu marido querido, romântico e apaixonado por ela e pela vida, o mesmo que ela conhecera e por quem se apaixonara. Com olhos de um jovem sonhador ele convidou-a para dançar, e ela se arrumou, se enfeitou toda para ele, só para ele, assim como fazia antes de caírem na rotina da vida. E quando ela estava pronta, também não era mais aquela mulher velha e triste esquecida em um canto qualquer, era a jovem por quem ele havia se apaixonado, linda, elegante e feliz. E eles deram-se os abraços, assim como faziam, e cheios de amor o gracioso casal foi para a praça e começou a dançar. E foi tanta dança, tantos beijos, tanto amor que a cidade acordou. Se Iluminou. Entendeu. E os dois se amaram, dançaram e acordaram para a vida. Eram de novo um casal apaixonado.

texto inspirado na musica de Chicho Buarque ou Vinicius de Moraes(não sei) . Se quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=BhLEeZQt30Y

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